Pressão da Casa Branca sobre o futuro do TikTok
A administração do ex-presidente Donald Trump voltou a colocar o TikTok sob risco de bloqueio nos Estados Unidos. Durante entrevista à emissora CNBC nesta quinta-feira, o secretário de Comércio, Howard Lutnick, declarou que o aplicativo “vai ficar no escuro” caso Pequim não aprove rapidamente a proposta de venda a investidores norte-americanos. O prazo para uma definição está próximo e, segundo o governo, a paciência com a demora chinesa se esgota.
Lutnick apontou que o plano garante domínio majoritário de capital dos Estados Unidos sobre o serviço. Ele afirmou que “os americanos vão controlar o algoritmo, vão deter a tecnologia e terão a palavra final”. Na avaliação da Casa Branca, essa estrutura atende às exigências de segurança nacional levantadas desde 2020 sobre o manuseio de dados de usuários norte-americanos pelo aplicativo.
Negociação para venda a investidores americanos
O acordo em discussão prevê que a maior parte das ações da operação do TikTok seja transferida a um consórcio dos Estados Unidos. O próprio Trump declarou recentemente que o comprador “já está definido” do lado norte-americano, faltando apenas a autorização do governo chinês, onde está baseada a ByteDance, controladora do aplicativo. Washington condiciona a permanência da plataforma no país à conclusão desse negócio.
Participação minoritária chinesa
De acordo com a proposta, Pequim manteria uma fatia reduzida, descrita por Lutnick como “um pequeno pedaço”. Mesmo assim, o executivo frisou que todas as decisões estratégicas e o desenho do código-fonte ficariam sob supervisão dos novos proprietários dos Estados Unidos. Para a administração Trump, essa configuração elimina o risco de interferência estrangeira em conteúdo e dados sensíveis.
Condição de aprovação imediata
Lutnick afirmou que “as decisões estão chegando muito em breve” e reforçou que o tempo para a resposta da China é limitado. Caso o governo chinês negue o aval, a medida prevista é a retirada total do aplicativo das lojas digitais norte-americanas e o bloqueio de serviços de hospedagem. O desligamento atingiria dezenas de milhões de usuários nos Estados Unidos, segundo estimativas de mercado.
Histórico de tensões e legislação sobre o aplicativo
O embate entre Washington e a plataforma chinesa se arrasta desde agosto de 2020, quando Trump, ainda no primeiro mandato, ameaçou banir o aplicativo citando motivos de segurança. A Casa Branca alegou que dados coletados poderiam ser repassados ao governo da China. Desde então, a empresa ficou em situação de incerteza regulatória, enfrentando múltiplas ordens executivas e disputas judiciais.
Imagem: mashable.com
Em 2024, o presidente Joe Biden sancionou a lei PAFACA (Protecting Americans from Foreign Adversary Controlled Applications), que formalizou a proibição do aplicativo no território norte-americano. A legislação, no entanto, previa prazos para implementação que foram sucessivamente prorrogados. Primeiro, a própria gestão Biden adiou a aplicação para buscar uma solução negociada; depois, já em campanha, Trump também postergou o corte definitivo e prometeu um acordo que garantisse ao menos 50% de participação local.
Próximos passos e possível impacto
Com a nova declaração de Lutnick, a Casa Branca coloca pressão direta sobre Pequim para tomar uma decisão. Caso o sinal verde seja concedido, o controle majoritário passará sem obstáculos a investidores dos Estados Unidos, permitindo a continuidade do aplicativo no mercado. Em cenário oposto, as autoridades afirmam que a suspensão será imediata, impactando criadores de conteúdo, anunciantes e o ecossistema de mídia social do país.
Analistas do setor avaliam que a resolução do impasse influenciará não apenas a presença do TikTok nos Estados Unidos, mas também futuros investimentos de empresas chinesas em território norte-americano. Embora o governo Trump não tenha divulgado data exata para o desligamento, fontes próximas ao processo indicam que as medidas podem ser anunciadas nas próximas semanas. Até lá, o aplicativo segue operando normalmente enquanto aguarda o desfecho diplomático e regulatório.

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