Furtos e roubos de celulares: panorama nacional
O 19º Anuário de Segurança do Fórum Brasileiro de Segurança Pública registra 917.748 furtos e roubos de celulares no país em 2024. O volume ainda elevado representa, contudo, redução de 13,4% na comparação com 2023, primeiro recuo expressivo desde o período atípico da pandemia.
O levantamento compila dados de secretarias estaduais, delegacias e outras fontes oficiais. Entre os estados, São Paulo concentra aproximadamente uma em cada cinco ocorrências, enquanto Piauí lidera a queda percentual com 29,7% menos registros.
A pesquisa aponta que apenas 8% dos aparelhos subtraídos acabam recuperados em operações policiais. Isso equivale a um dispositivo devolvido ao dono a cada 12 crimes, proporção ainda considerada baixa pelos autores do estudo.
Principais fatores que impulsionaram a queda
Troca no foco dos criminosos para fraudes digitais
O relatório atribui parte da retração ao crescimento de estelionatos e golpes on-line, tendência intensificada no pós-pandemia. Com o deslocamento do crime para o ambiente virtual, diminuiu a pressão sobre delitos envolvendo subtração física de aparelhos.
Adoção de travas de segurança pelos usuários
Recursos como reconhecimento biométrico, senhas fortes e bloqueio remoto tornaram o celular menos atraente para revenda. A popularização dessas ferramentas dificulta a revogação de contas e o acesso a dados financeiros, reduzindo o lucro do mercado ilícito.
Operações policiais e alertas de bloqueio imediato
Estados passaram a realizar ações específicas contra receptadores e desmanches. Iniciativas como o programa Celular Seguro, inspirado em modelo implantado primeiro no Piauí, possibilitam registro instantâneo de furto ou roubo, inibindo o uso do terminal ainda nas primeiras horas.
Horários, locais e perfil das vítimas
Diferenças entre furto e roubo
Furtos predominam nos fins de semana, somando 34% dos casos, enquanto roubos ocorrem com maior frequência em dias úteis, sobretudo quintas e sextas-feiras, que concentram 29,8% das ocorrências. Os horários também variam: roubos tendem a acontecer entre 4h e 6h e das 18h às 23h; furtos distribuem-se ao longo do dia.
Ambientes mais suscetíveis
Vias públicas lideram como cenário de risco, aparecendo em 79,6% dos roubos e 43,7% dos furtos. No segundo tipo, estabelecimentos comerciais surgem em seguida com 14,6%, seguidos pela própria residência da vítima (12%) e pelo transporte público ou privado (11%).
Recorte de raça, gênero e idade
Pessoas negras entre 20 e 39 anos constituem a maioria das vítimas nos dois crimes. Homens representam 59,1% dos roubos, enquanto mulheres figuram em 50,2% dos furtos, diferença considerada pequena pelo estudo.
Mapa dos estados e marcas mais visadas
Taxas proporcionais de incidência
São Luís lidera o ranking nacional com 744 registros por 100 mil habitantes, seguida por Belém. Na terceira posição, São Paulo apresenta a maior participação absoluta, mas taxa proporcional inferior às capitais do Norte e Nordeste.
Preferência por modelos populares
Samsung e Motorola aparecem como marcas mais subtraídas, reflexo direto da liderança de mercado. Mesmo com participação menor nas vendas, a Apple ocupa o terceiro lugar na lista de aparelhos preferidos por criminosos.
Recuperação de celulares permanece desafio
Desempenho desigual entre os estados
O Pará exibe a pior relação entre roubo ou furto e recuperação: um aparelho devolvido para cada 65,3 subtraídos. No extremo oposto, o Piauí devolve um celular a cada 2,7 ocorrências, resultado atribuído ao sistema de alerta estadual adotado em 2022.
Capacidade investigativa precisa avançar
Os autores do anuário sustentam que a taxa nacional de 8% recuperados revela limitações na investigação e no processamento de dados. O desafio para 2025 é ampliar a cooperação entre estados, aprimorar rastreamento de IMEIs e desarticular canais de revenda.
Embora a queda de 13,4% represente alívio estatístico, o volume absoluto indica que furtos e roubos de celulares seguem como crime de grande impacto social. A consolidação de ferramentas de bloqueio imediato e o fortalecimento de operações de recuperação despontam como caminhos para reduzir ainda mais esses números.

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