Queda de 13% nos furtos e roubos de celulares em 2024 no Brasil evidencia mudança no perfil do crime

Furtos e roubos de celulares: panorama nacional

Índices
  1. Furtos e roubos de celulares: panorama nacional
  2. Principais fatores que impulsionaram a queda
  3. Horários, locais e perfil das vítimas
  4. Mapa dos estados e marcas mais visadas
  5. Recuperação de celulares permanece desafio

O 19º Anuário de Segurança do Fórum Brasileiro de Segurança Pública registra 917.748 furtos e roubos de celulares no país em 2024. O volume ainda elevado representa, contudo, redução de 13,4% na comparação com 2023, primeiro recuo expressivo desde o período atípico da pandemia.

O levantamento compila dados de secretarias estaduais, delegacias e outras fontes oficiais. Entre os estados, São Paulo concentra aproximadamente uma em cada cinco ocorrências, enquanto Piauí lidera a queda percentual com 29,7% menos registros.

A pesquisa aponta que apenas 8% dos aparelhos subtraídos acabam recuperados em operações policiais. Isso equivale a um dispositivo devolvido ao dono a cada 12 crimes, proporção ainda considerada baixa pelos autores do estudo.

Principais fatores que impulsionaram a queda

Troca no foco dos criminosos para fraudes digitais

O relatório atribui parte da retração ao crescimento de estelionatos e golpes on-line, tendência intensificada no pós-pandemia. Com o deslocamento do crime para o ambiente virtual, diminuiu a pressão sobre delitos envolvendo subtração física de aparelhos.

Adoção de travas de segurança pelos usuários

Recursos como reconhecimento biométrico, senhas fortes e bloqueio remoto tornaram o celular menos atraente para revenda. A popularização dessas ferramentas dificulta a revogação de contas e o acesso a dados financeiros, reduzindo o lucro do mercado ilícito.

Operações policiais e alertas de bloqueio imediato

Estados passaram a realizar ações específicas contra receptadores e desmanches. Iniciativas como o programa Celular Seguro, inspirado em modelo implantado primeiro no Piauí, possibilitam registro instantâneo de furto ou roubo, inibindo o uso do terminal ainda nas primeiras horas.

Horários, locais e perfil das vítimas

Diferenças entre furto e roubo

Furtos predominam nos fins de semana, somando 34% dos casos, enquanto roubos ocorrem com maior frequência em dias úteis, sobretudo quintas e sextas-feiras, que concentram 29,8% das ocorrências. Os horários também variam: roubos tendem a acontecer entre 4h e 6h e das 18h às 23h; furtos distribuem-se ao longo do dia.

Ambientes mais suscetíveis

Vias públicas lideram como cenário de risco, aparecendo em 79,6% dos roubos e 43,7% dos furtos. No segundo tipo, estabelecimentos comerciais surgem em seguida com 14,6%, seguidos pela própria residência da vítima (12%) e pelo transporte público ou privado (11%).

Recorte de raça, gênero e idade

Pessoas negras entre 20 e 39 anos constituem a maioria das vítimas nos dois crimes. Homens representam 59,1% dos roubos, enquanto mulheres figuram em 50,2% dos furtos, diferença considerada pequena pelo estudo.

Mapa dos estados e marcas mais visadas

Taxas proporcionais de incidência

São Luís lidera o ranking nacional com 744 registros por 100 mil habitantes, seguida por Belém. Na terceira posição, São Paulo apresenta a maior participação absoluta, mas taxa proporcional inferior às capitais do Norte e Nordeste.

Preferência por modelos populares

Samsung e Motorola aparecem como marcas mais subtraídas, reflexo direto da liderança de mercado. Mesmo com participação menor nas vendas, a Apple ocupa o terceiro lugar na lista de aparelhos preferidos por criminosos.

Recuperação de celulares permanece desafio

Desempenho desigual entre os estados

O Pará exibe a pior relação entre roubo ou furto e recuperação: um aparelho devolvido para cada 65,3 subtraídos. No extremo oposto, o Piauí devolve um celular a cada 2,7 ocorrências, resultado atribuído ao sistema de alerta estadual adotado em 2022.

Capacidade investigativa precisa avançar

Os autores do anuário sustentam que a taxa nacional de 8% recuperados revela limitações na investigação e no processamento de dados. O desafio para 2025 é ampliar a cooperação entre estados, aprimorar rastreamento de IMEIs e desarticular canais de revenda.

Embora a queda de 13,4% represente alívio estatístico, o volume absoluto indica que furtos e roubos de celulares seguem como crime de grande impacto social. A consolidação de ferramentas de bloqueio imediato e o fortalecimento de operações de recuperação despontam como caminhos para reduzir ainda mais esses números.

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