Reino Unido exige verificação de idade para conteúdo pornográfico criado por usuários

Atualização da Lei de Segurança Online entra em vigor

Índices
  1. Atualização da Lei de Segurança Online entra em vigor
  2. Plataformas atingidas pelas exigências
  3. Penalidades previstas para descumprimento
  4. Contexto mais amplo de proteção infantil na internet

A partir desta sexta-feira, 25 de julho, passou a valer no Reino Unido uma ampliação da Lei de Segurança Online, criada em 2023 para proteger menores de idade na internet. A nova etapa determina que serviços que hospedam ou permitem o envio de conteúdo pornográfico pelos próprios usuários adotem sistemas de verificação de idade considerados altamente eficazes.

A legislação já impunha esse controle a sites que produzem pornografia própria. Com a mudança, fóruns, redes sociais e outras plataformas que não têm foco adulto, mas exibem material sexual explícito publicado pela comunidade, entram no escopo obrigatório.

O governo britânico afirma que a medida é necessária para impedir que crianças encontrem facilmente material impróprio, reforçando a política nacional de segurança digital para menores.

O que muda com a nova regra

Os serviços online precisam exigir prova de que o usuário tem pelo menos 18 anos antes de permitir o acesso a imagens ou vídeos pornográficos. O texto da lei destaca que a verificação deve ir além de simples declarações de data de nascimento, utilizando métodos que combinem documentos oficiais, biometria ou outros processos confiáveis.

Empresas que não comprovarem a adoção de controles “altamente eficazes” ficam sujeitas às mesmas sanções aplicadas desde 2023 aos sites pornográficos tradicionais, podendo sofrer multas significativas ou até ordens de bloqueio.

A autoridade reguladora responsável por fiscalizar o cumprimento é a Ofcom, que recebeu novos poderes para inspecionar sistemas de verificação, solicitar dados técnicos e aplicar penalidades quando necessário.

Plataformas atingidas pelas exigências

Qualquer serviço acessível a usuários britânicos, mesmo que sediado fora do país, precisa obedecer à regra. Isso inclui redes sociais, salas de bate-papo, fóruns de nicho e aplicativos de compartilhamento de arquivos que permitam a postagem de pornografia.

Desde abril, a Ofcom vem enviando notificações formais a empresas para esclarecer as novas exigências e indicar prazos de adequação. O órgão reforça que o impacto regulatório não se limita a sites explicitamente adultos, pois o simples ato de hospedar conteúdo sexual criado pelo usuário já enquadra a plataforma.

Exemplos de verificação de idade já adotados

Algumas redes populares no país, como Bluesky, Discord e Reddit, implementaram processos de checagem que combinam envio de foto de documento oficial com selfie, validada por programas de reconhecimento facial. Outras adotam soluções de terceiros especializadas em verificação etária.

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Imagem: Pixels Hunter via olhardigital.com.br

Essas ferramentas precisam armazenar o mínimo possível de dados pessoais e seguir as regras locais de proteção de informações, outro ponto fiscalizado pela autoridade britânica.

Penalidades previstas para descumprimento

Plataformas que ignorarem a lei estão sujeitas a multas de até 18 milhões de libras esterlinas, equivalentes a mais de R$ 133 milhões, ou a 10% da receita global anual — aplica-se o valor que for maior. Sanções financeiras podem ser acompanhadas de ordens judiciais para restringir o acesso ao serviço dentro do território britânico.

Em casos considerados graves, a Ofcom pode solicitar aos provedores de conexão que bloqueiem completamente o site ou aplicativo, medida já prevista na lei original de 2023.

Contexto mais amplo de proteção infantil na internet

A ampliação da Lei de Segurança Online ocorre em meio a preocupações crescentes sobre exposição de menores a conteúdo sexual e à circulação de material ilegal envolvendo crianças. Relatórios recentes indicam aumento de denúncias relacionadas a conteúdos gerados por inteligência artificial.

Aumento de material abusivo gerado por IA

Dados do Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas, que recebe notificações de abuso sexual infantil, mostram avanço de casos envolvendo imagens criadas por ferramentas de IA. O órgão alerta que o realismo das montagens dificulta a detecção automática e exige esforços adicionais de moderação.

A autoridade britânica vê a verificação de idade como parte de um conjunto maior de políticas para reduzir a exposição de menores e impedir a circulação de material ilegal. Outras iniciativas incluem exigência de relatórios transparentes sobre moderação e cooperação internacional na identificação de usuários que compartilham pornografia infantil.

Com a atualização em vigor, o Reino Unido torna-se um dos primeiros países a aplicar obrigações detalhadas de verificação etária a plataformas com conteúdo sexual gerado por usuários, sinalizando tendência regulatória que pode influenciar outras jurisdições.

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