Um homem de 29 anos foi preso em Vila Velha, Espírito Santo, acusado de comercializar logins de advogados que abriam caminho para o golpe do falso advogado. A ação fez parte da operação Falso Patrono 3, conduzida pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul com apoio da corporação capixaba. O investigado oferecia o acesso por R$ 200, permitindo que grupos criminosos consultassem processos e enganassem vítimas com cobranças de taxas inexistentes.
Prisão no Espírito Santo integra terceira fase da Falso Patrono
A captura ocorreu na quinta-feira, 27, depois de meses de investigação que mapeou milhares de ocorrências no Rio Grande do Sul. Equipes gaúchas viajaram até Vila Velha para cumprir o mandado de prisão preventiva, medida que eleva para 11 o total de detidos nas três etapas da ofensiva policial. As fases anteriores haviam alcançado suspeitos no Ceará, Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais.
Suspeito mantinha gráfica clandestina e forjava documentos
Segundo o Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos, o preso é designer gráfico e operava uma gráfica clandestina usada para falsificar procurações, assinaturas e outros papéis. A estrutura também servia para criar identidades digitais, liberar contas em plataformas governamentais e produzir material que viabilizava fraudes em aplicativos de transporte. As atividades ampliavam o espectro de golpes praticados pelo grupo.
Como funcionava a venda de acesso aos sistemas judiciais
O investigado obtinha credenciais do Esaj, do Projudi e do eproc, ambientes eletrônicos que concentram documentos de processos judiciais em todo o país. As chaves concediam acesso a peças completas, incluindo dados pessoais, procurações de partes e decisões sigilosas. Ao repassar os logins, o suspeito permitia que os estelionatários construíssem narrativas convincentes para abordar vítimas.
Estratégia empregada pelos golpistas
De posse das informações reais, criminosos entravam em contato por aplicativos de mensagem ou e-mail e se passavam por representantes legais. O discurso era padronizado: para receber uma indenização ou acelerar o andamento da causa, a vítima deveria pagar “custas processuais”, “taxas cartorárias” ou “impostos” via Pix. Os valores solicitados variavam conforme a quantia supostamente a ser liberada.
Casos de prejuízo financeiro ilustram impacto do golpe
Em fevereiro, uma moradora de São Paulo perdeu R$ 30 mil após acreditar que adiantaria uma indenização de R$ 300 mil. O esquema prometia a liberação do montante minutos depois da transferência. Relatos semelhantes motivaram a abertura de inquéritos em todo o território gaúcho, onde os primeiros registros apareceram ainda em 2023 e se intensificaram neste ano.
Alcance nacional da prática criminosa
As informações obtidas nos processos permitiam ao grupo atacar residentes em diversos estados. A facilidade de propagação entrou no radar das polícias, que identificaram um mercado ativo para a revenda de logins. Grupos de mensagens e plataformas clandestinas divulgavam anúncios que detalhavam preços, prazos e instruções de uso das credenciais.

Imagem: uol.com.br
Crimes atribuídos ao suspeito preso em Vila Velha
O homem responderá por organização criminosa, estelionato, falsidade ideológica e uso de documento falso. A soma das penas para esses delitos pode ultrapassar 20 anos de reclusão, dependendo da decisão judicial. A investigação segue para identificar a origem das credenciais e localizar outros envolvidos na cadeia de fornecimento de acessos.
Orientações para evitar o golpe do falso advogado
Verificação direta com profissionais
Especialistas recomendam contatar o advogado ou o escritório pelos canais oficiais antes de qualquer pagamento. Telefonar para o número fixo cadastrado ou comparecer pessoalmente reduz o risco de cair em armadilhas. Advogados não solicitam depósitos via mensagens instantâneas sem prévio aviso formal.
Desconfiança de contatos não solicitados
Ligações ou mensagens de números desconhecidos devem ser tratadas com cautela. Em caso de dúvida, ignore o pedido e reporte o usuário ao aplicativo de mensagens. A atitude preventiva dificulta a propagação do esquema e protege outros potenciais alvos.
Boletim de ocorrência e tentativa de ressarcimento
Vítimas devem registrar boletim de ocorrência imediatamente. Se a transferência foi feita por Pix, é possível acionar o Mecanismo Especial de Devolução junto à instituição financeira. Embora a recuperação não seja garantida, a solicitação contribui para o bloqueio de contas laranja utilizadas pelos golpistas.
A operação Falso Patrono permanece em andamento, e a Polícia Civil orienta cidadãos e advogados a reforçarem práticas de segurança digital, como a troca frequente de senhas e a habilitação de autenticação em dois fatores nos sistemas judiciais. O objetivo é impedir que credenciais legítimas continuem alimentando o golpe do falso advogado em todo o país.