Seth Meyers questiona veto de Donald Trump a artistas “woke”
Apresentador reage às declarações do ex-presidente sobre o Kennedy Center Honors
Seth Meyers usou a edição de quinta-feira de “Late Night with Seth Meyers” para criticar a postura de Donald Trump frente à cerimônia do Kennedy Center Honors, que será conduzida pelo ex-presidente neste ano. Durante entrevista coletiva, Trump afirmou ter desempenhado “cerca de 98%” do processo de escolha dos homenageados, revelando que rejeitou diversos nomes por considerá-los “woke”.
Segundo Trump, vários artistas foram excluídos porque se enquadrariam na categoria de “wokesters”. A palavra, repetida pelo republicano, virou o principal alvo da resposta de Meyers. O comediante já havia comentado o anúncio de Trump como anfitrião do evento, mas concentrou sua atenção nesta etapa do debate após a revelação sobre a filtragem política.
“Wokester” vira alvo de piada no monólogo
No monólogo exibido pela NBC, Meyers ironizou o termo utilizado por Trump. “Desculpa, ele disse ‘wokesters’? Um ‘wokester’ soa como um carro que seu bisavô dirigia depois da guerra”, brincou. Em seguida, imaginou um relato fictício: “Eu tinha um Wokester de 1939 que usei até a feira estadual, onde o troquei por um funnel cake. Ah, como sinto falta do meu Wokester”.
A piada serviu para ilustrar, segundo Meyers, a distância entre a retórica de Trump e a realidade do meio artístico. Para o apresentador, o uso do neologismo reforça uma estratégia de rotular opositores ideológicos, descartando-os do palco de uma premiação tradicional.
Crítica aos defensores da “liberdade de expressão”
Além da ironia, Meyers direcionou críticas a comentaristas conservadores que costumam se apresentar como “guardiões da liberdade de expressão”. De acordo com o apresentador, esses analistas estariam em “silêncio” diante da admissão pública de Trump sobre a exclusão de artistas por motivação política.
“Saudações aos guerreiros da liberdade de expressão que ficam totalmente calados enquanto o presidente admite que pune artistas por suas ideias”, disse. Em seguida, completou com linguagem ácida: “Continuem do jeito que estão, mas só quando isso se encaixar na visão de mundo de vocês, seus hipocrítas”.
Processo de seleção concentrado em Trump
Na coletiva de imprensa que antecedeu a repercussão, Trump declarou ter rejeitado diversos nomes. “Eu diria que estive 98% envolvido. Recusei vários: eram muito woke. Tinha alguns wokesters”, afirmou. A confissão levou Meyers a sugerir que o critério central da escolha seja a afinidade política com o ex-mandatário.
A declaração também estabeleceu um contraste com edições anteriores do evento, quando os nomes escolhidos costumam ser submetidos a um comitê. Ao assumir responsabilidade quase total pelas indicações, Trump reforçou que o alinhamento ideológico é determinante nesta edição.
Repercussão amplia debate sobre arte e política
Mesmo sem revelar quais artistas foram vetados, Trump sustenta que a exclusão se baseou na percepção de que seriam “demasiadamente woke”. O termo ganhou destaque na retórica conservadora para se referir a posições progressistas em temas sociais e culturais.
Para Meyers, a postura abre precedente para a punição explícita a posicionamentos políticos no universo da cultura. O comediante utilizou o espaço de seu programa para expor a contradição entre o discurso de defesa da liberdade de expressão, comum em círculos de direita, e a censura embutida na filtragem de nomes.
Imagem: mashable.com
Próximos passos até a cerimônia
Até o momento, não há lista oficial de homenageados divulgada publicamente. A organização do Kennedy Center Honors não comentou as falas do ex-presidente nem o posicionamento de Meyers. A cerimônia está confirmada para este ano, com Trump como anfitrião, mas sem data detalhada anunciada no pronunciamento que gerou a polêmica.
O comentário de Meyers adiciona pressão sobre os responsáveis pelo evento, que historicamente tem celebrado figuras de diversas vertentes artísticas. A exclusão de participantes por convicção política pode intensificar o debate sobre a neutralidade institucional do prêmio e a liberdade de criação no cenário norte-americano.
Quem, o que, quando, onde e por quê
Quem: Seth Meyers e Donald Trump.
O que: reação de Meyers à decisão de Trump de barrar artistas “woke” no Kennedy Center Honors.
Quando: declaração de Meyers foi ao ar na quinta-feira; Trump comentou o processo de seleção em coletiva anterior.
Onde: programa “Late Night with Seth Meyers”, transmitido pela NBC; coletiva de imprensa de Trump.
Por quê: Trump afirmou ter rejeitado artistas por discordar de suas posições políticas, motivando a crítica de Meyers sobre censura e liberdade de expressão.
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