Quadrilha acusada de fraudar US$ 100 milhões em “golpes do amor” é indiciada nos EUA

Indiciamento nos EUA expõe esquema de golpes do amor

Índices
  1. Indiciamento nos EUA expõe esquema de golpes do amor
  2. Como operavam os golpes de romance
  3. Lavagem de dinheiro em vários países
  4. Declaração do FBI sobre os golpistas do amor
  5. Acusações formais e possíveis penas
  6. Impacto financeiro dos golpes do amor
  7. Por que o esquema prosperou
  8. Repercussão e reforço das investigações

O Ministério Público do Distrito Sul de Nova York indiciou, em 8 de agosto de 2025, quatro integrantes de uma organização acusada de aplicar golpes do amor e fraudes corporativas entre 2016 e maio de 2023. Segundo a acusação, as vítimas perderam mais de US$ 100 milhões, quantia equivalente a cerca de R$ 540 milhões na cotação atual.

Quem são os denunciados

Foram citados no processo Isaac Oduro Boateng (conhecido como “Kofi Boat”), Inusah Ahmed (“Pascal”), Derrick van Yeboah (“Van”) e Patrick Kwame Asare (“Borgar”). Os três primeiros foram extraditados para os Estados Unidos em 7 de agosto. Asare permanece foragido.

Como operavam os golpes de romance

O grupo, identificado como parte dos chamados sakawa boys ou game boys, criava perfis falsos em redes sociais e aplicativos de relacionamento. O objetivo era estabelecer vínculos afetivos com homens e mulheres mais velhos, principalmente residentes nos Estados Unidos.

Convencimento e transferência de recursos

Após conquistar a confiança das vítimas, os suspeitos solicitavam transferências de valores para supostas necessidades emergenciais ou investimentos inexistentes. Em outras ocasiões, persuadiam os alvos a movimentar fundos para empresas de fachada controladas pela quadrilha.

Ataques do tipo Business E-mail Compromise

Além do golpe do amor, a investigação aponta que a quadrilha praticava o esquema Business E-mail Compromise (BEC). Nesse modelo, fraudadores se fazem passar por executivos ou fornecedores confiáveis, induzindo funcionários de empresas a enviar pagamentos ou dados sensíveis para contas controladas pelos criminosos.

Lavagem de dinheiro em vários países

Relatórios anexados ao processo indicam que os valores obtidos chegavam a contas bancárias em diferentes nações da África Ocidental. Nesses locais, os montantes eram convertidos, redistribuídos e repassados a intermediários denominados chairmen (“presidentes”). Boateng e Ahmed foram identificados como alguns desses líderes responsáveis por coordenar a circulação do dinheiro.

Organização hierárquica

Segundo os promotores, a quadrilha mantinha hierarquia clara. Os membros de nível superior criavam estratégias, definindo perfis falsos e empresas de fachada. Já os operadores intermediários executavam as interações com vítimas e empresas, enquanto os chairmen supervisionavam a lavagem dos recursos.

Declaração do FBI sobre os golpistas do amor

O diretor-assistente do FBI, Christopher Raia, classificou a conduta como “repugnante e ilegal”, ressaltando que enganar idosos e comprometer finanças corporativas ameaça tanto indivíduos quanto instituições.

Acusações formais e possíveis penas

Os quatro réus respondem por:

• Conspiração para fraudes digitais;
• Conspiração para lavagem de dinheiro;
• Conspiração para recebimento de dinheiro roubado;
• Recebimento de dinheiro roubado.

Próximos passos judiciais

Com a conclusão da extradição de três acusados, o tribunal norte-americano deve agendar audiências preliminares nas próximas semanas. A Procuradoria busca localizar Patrick Kwame Asare para completar o quadro de réus perante a Justiça.

Impacto financeiro dos golpes do amor

Entre 2016 e 2023, o prejuízo total estimado ultrapassou US$ 100 milhões. Parte significativa das vítimas relatou ter perdido economias destinadas à aposentadoria, à saúde e ao sustento familiar.

Perfil das vítimas

Documentos judiciais revelam que a maioria dos lesados tem mais de 50 anos e mora em estados norte-americanos do Meio-Oeste e Sul. Muitos mantiveram relacionamentos virtuais por meses antes de perceber a fraude.

Por que o esquema prosperou

Promotores afirmam que a combinação de engenharia social, perfis bem elaborados e uso de empresas de fachada dificultou a detecção precoce. O caráter transnacional do grupo, com movimentação de fundos por diversos países, também prolongou o tempo de investigação.

Repercussão e reforço das investigações

As autoridades norte-americanas reforçaram a cooperação com agências internacionais para rastrear fluxos financeiros e identificar novos participantes. O caso serve de alerta para golpes de romance e fraudes corporativas, que continuam em expansão global.

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