Opera leva queixa contra Microsoft ao Cade por suposta vantagem indevida do Edge

Queixa no Cade mira preferência ao navegador Edge

Índices
  1. Queixa no Cade mira preferência ao navegador Edge
  2. Histórico de disputas entre Opera e Microsoft
  3. Principais argumentos da nova reclamação
  4. Ações paralelas na União Europeia
  5. Próximos passos no Brasil

A desenvolvedora norueguesa Opera apresentará nesta terça-feira uma representação ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) alegando que a Microsoft concede tratamento privilegiado ao navegador Edge nos dispositivos que operam com Windows. Segundo a companhia, essa prática prejudica a concorrência e limita o acesso dos usuários a alternativas.

No documento obtido pela agência de notícias, a Opera sustenta que a pré-instalação do Edge como navegador padrão impede concorrentes de disputar espaço em condições equivalentes. A empresa afirma ser o terceiro navegador de computador mais utilizado no Brasil e defende que o mercado precisa de garantias para competir “com base nos méritos dos produtos”.

A nova ação amplia a rivalidade histórica entre as duas empresas e reforça o debate sobre práticas de integração de software no ecossistema Windows, assunto que já motivou multas bilionárias contra a Microsoft em outras jurisdições.

Histórico de disputas entre Opera e Microsoft

A relação conflituosa ganhou destaque em 2007, quando a Opera denunciou à Comissão Europeia o vínculo do Internet Explorer ao Windows. O caso terminou com sanção antitruste de 561 milhões de euros aplicada à Microsoft pela União Europeia, estabelecendo precedentes sobre bundling de aplicações.

Em outro front regulatório, no início deste mês a Opera ingressou com ação no Tribunal Geral da União Europeia contra a decisão que isentou o Edge da Lei dos Mercados Digitais. A norma lista comportamentos permitidos e proibidos para grandes plataformas digitais, e a empresa entende que o navegador da Microsoft deveria ficar sujeito ao mesmo conjunto de obrigações.

Principais argumentos da nova reclamação

Pré-instalação do Edge como padrão

A Opera sustenta que o Edge chega embarcado em computadores e tablets equipados com Windows, configurado como navegador default. Para a reclamante, esse posicionamento inicial garante à Microsoft vantagem de distribuição que navegadores rivais não conseguem igualar, mesmo quando oferecem recursos semelhantes ou superiores.

Incentivos a fabricantes de PCs

O texto também aponta supostos incentivos financeiros dados a grandes fabricantes de computadores com o objetivo de manter o Edge como única opção nativa. Essas condições contratuais, de acordo com a Opera, dificultam acordos de pré-instalação de navegadores concorrentes e limitam a variedade de softwares disponível ao consumidor no momento da compra.

Design que desencoraja concorrentes

Outro ponto citado envolve a utilização de padrões de interface, alertas e mensagens que direcionariam o usuário a permanecer no Edge. A Opera acusa a Microsoft de empregar táticas de design enganosas para desencorajar o download ou a definição de navegadores alternativos como padrão, reduzindo artificialmente a participação de mercado de rivais.

Ações paralelas na União Europeia

Enquanto busca a investigação brasileira, a Opera mantém litígio na Europa para incluir o Edge entre os serviços regulados pela Lei dos Mercados Digitais. A companhia argumenta que a exclusão do navegador da lista compromete a eficácia do regulamento, cujo objetivo é conter práticas de autopreferência adotadas por grandes grupos tecnológicos.

A Microsoft, por sua vez, vem reiterando em processos europeus que oferece mecanismos de escolha de navegador e que acompanha as exigências locais. A empresa ainda não se manifestou sobre o protocolo da queixa no Cade até o momento da publicação desta reportagem.

Próximos passos no Brasil

No pedido encaminhado ao Cade, a Opera requer abertura de investigação e possível imposição de compromissos que garantam competição justa no mercado de navegadores. Entre as medidas solicitadas estão alterações na política de pré-instalação e mudanças na experiência de usuário que facilitem a adoção de softwares rivais.

Após o recebimento da representação, o órgão antitruste poderá solicitar informações adicionais às partes, abrir processo administrativo ou arquivar a denúncia. Caso considere procedentes os indícios de conduta abusiva, o Cade pode negociar termos de cessação ou aplicar penalidades financeiras, seguindo as disposições da Lei de Defesa da Concorrência.

Ainda não há prazo definido para a análise do caso. Especialistas lembram que processos envolvendo grandes multinacionais costumam se arrastar por anos, exigindo perícia técnica e cooperação internacional. Até lá, a disputa entre Opera e Microsoft permanece em vários tabuleiros regulatórios, refletindo a crescente atenção de autoridades ao poder de empresas de tecnologia.

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