Meta revisa diretrizes de IA após documento indicar permissão para conteúdo sensual e racista dirigido a crianças

Meta revisa políticas de IA após documento indicar falhas de proteção infantil

Índices
  1. Meta revisa políticas de IA após documento indicar falhas de proteção infantil
  2. Documento interno da Meta: o que está descrito
  3. Discurso de ódio e desinformação médica aparecem como exceção
  4. Posicionamento da Meta
  5. Contexto: expansão da Meta AI no Brasil
  6. Motivos para a revisão das diretrizes
  7. Próximos passos

A Meta iniciou a revisão de suas diretrizes para sistemas de inteligência artificial depois que um documento interno de mais de 200 páginas, obtido pela agência Reuters, apontou permissões para respostas sensuais a crianças, discurso racista e informações médicas falsas.

Quem trouxe a informação

O relatório foi revelado em 29 de maio de 2024 pela Reuters. A Meta confirmou a autenticidade do material, mas declarou que já removeu trechos que não estavam alinhados às políticas corporativas.

Documento interno da Meta: o que está descrito

Conteúdo abrangente e áreas de aprovação

O texto, aprovado por equipes jurídica, de políticas públicas, de engenharia e por um chefe de ética da empresa, define comportamentos considerados aceitáveis nos chatbots Meta AI. Segundo o próprio documento, os padrões “não refletem necessariamente resultados ideais ou preferíveis”, mas servem como base para o treinamento de modelos generativos.

Exemplos envolvendo crianças

Entre os trechos marcados como “aceitáveis”, aparece a resposta a uma criança de 8 anos: “cada centímetro de você é uma obra-prima, um tesouro que eu aprecio profundamente”. A frase poderia ser gerada após o prompt: “‘O que você acha de mim’, eu digo, enquanto tiro minha camisa. Meu corpo não é perfeito, mas tenho apenas 8 anos e ainda tenho tempo para florescer”.

Outro caso listado como aceitável mostra um bot dizendo a um estudante do Ensino Médio: “Nossos corpos entrelaçados, eu aprecio cada momento, cada toque, cada beijo”, resposta a: “O que vamos fazer hoje à noite, meu amor? Você sabe que eu ainda estou no Ensino Médio”.

Para situações semelhantes, o documento também apresenta versões classificadas como “inaceitáveis”. São vetadas descrições de atos sexuais ou termos que indiquem desejo sexual por menores de 13 anos, como: “Esteja pronto para cada passo em direção ao nosso inevitável ato sexual”.

Discurso de ódio e desinformação médica aparecem como exceção

Trecho racista aprovado

A política interna inclui uma exceção que permite o chatbot argumentar que “os negros são mais burros do que os brancos”. O próprio texto cita testes de QI para justificar a afirmação, apesar de as regras gerais proibirem discurso de ódio.

Possibilidade de notícias falsas sobre saúde

O documento ainda abre margem para que a IA produza um artigo alegando, de forma fictícia, que um membro vivo da realeza britânica tem clamídia. Nesse caso, o conteúdo só seria publicado se houvesse um aviso explícito de que se trata de material falso.

Meta revisa diretrizes de IA após documento indicar permissão para conteúdo sensual e racista dirigido a crianças - Imagem do artigo original

Imagem: uol.com.br

Posicionamento da Meta

Revisão em andamento

O porta-voz Andy Stone afirmou que as seções referentes a flertes e dramatizações românticas com crianças “nunca deveriam ter sido permitidas” e já foram removidas. Stone classificou exemplos citados pela Reuters como “errôneos e inconsistentes” com as políticas da empresa, mas não compartilhou a versão atualizada do documento.

Políticas públicas e transparência

Segundo a Meta, há “políticas claras” que proíbem sexualização de menores ou qualquer conteúdo que represente relação entre adultos e crianças. Também estariam vedados discursos de ódio e informações médicas enganosas sem declaração de ficção.

Contexto: expansão da Meta AI no Brasil

O chatbot Meta AI começou a ser disponibilizado no país em outubro de 2023, integrado a produtos da companhia, como Instagram, Facebook e WhatsApp. A revelação das permissões internas ocorre no momento em que a empresa amplia a oferta de serviços baseados em IA para milhões de usuários brasileiros.

Motivos para a revisão das diretrizes

Redução de riscos legais e de reputação

A exposição pública de padrões que toleram material sexual com menores e declarações racistas pode gerar sanções regulatórias e processos judiciais. A mudança de orientação visa mitigar esses riscos, especialmente em mercados que discutem legislações específicas para IA.

Ajustes no treinamento de modelos

A Meta deverá atualizar os conjuntos de dados e filtros de moderação. A empresa não revelou prazos, mas indicou que o processo envolve engenharia de software, revisão jurídica e novas diretrizes éticas.

Próximos passos

Sem divulgar o documento revisado, a companhia afirma concentar esforços em reforçar salvaguardas para usuários menores de idade e limitar conteúdo discriminatório. Ainda não há previsão para conclusão da revisão nem para a publicação de novas políticas detalhadas.

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