A Intel iniciou um processo de reestruturação que prevê a separação completa de sua unidade de rede e comunicações, com o objetivo de transformá-la em uma empresa autônoma e atrair novos investidores.
Objetivo da reestruturação da Intel
O presidente-executivo Lip-Bu Tan decidiu enxugar o portfólio da companhia para concentrar recursos em áreas consideradas estratégicas.
Dentro desse plano, ativos classificados como não essenciais serão alienados ou reorganizados.
A criação de uma nova empresa para a divisão de rede faz parte desse movimento.
Busca por investidores estratégicos
A Intel já iniciou contatos formais com o mercado para identificar acionistas dispostos a aportar capital na futura companhia.
O grupo pretende atuar como investidor âncora, mantendo participação relevante após a cisão.
A estratégia repete o modelo adotado recentemente na venda parcial da Altera para a Silver Lake.
Detalhes da divisão de rede e comunicações
A unidade fabrica chips destinados a equipamentos de telecomunicações, como roteadores e antenas 5G.
Em 2024, essa área registrou receita de US$ 5,8 bilhões, equivalente a cerca de 11% do faturamento total da Intel.
Os números deixam claro que o segmento continua relevante, mesmo sem divulgação separada nos balanços desde o primeiro trimestre.
Evolução do nome e do escopo
Anteriormente identificada como NEX nos relatórios financeiros, a divisão foi incorporada ao grupo de data center e PC no início do ano.
Com a cisão, voltará a ter demonstrações contábeis próprias e governança independente.
O movimento abre caminho para expansão de mercado sem competir diretamente por recursos internos.
Redução de custos e revisões de portfólio
Além da separação da unidade de rede, o plano de Lip-Bu Tan inclui corte de despesas operacionais e revisão de investimentos de capital.
A companhia já anunciou diminuição no quadro de funcionários em diversas áreas globais.
Essas medidas buscam melhorar margens e preservar caixa em meio à transição tecnológica.
Venda parcial da Altera como precedente
Em abril, a Intel aceitou vender participação majoritária no negócio de chips programáveis Altera à Silver Lake, operação avaliada em cerca de US$ 8,75 bilhões.
O valor representa quase metade do montante que a empresa pagou pela Altera em 2015.
A transação serviu de teste para o modelo de “investidor âncora” que agora será adotado na cisão da divisão de rede.
Contexto competitivo no mercado de semicondutores
A Intel enfrenta forte concorrência em segmentos de alto crescimento, como inteligência artificial e computação em nuvem.
Erros de produção e atrasos em novas tecnologias de fabricação reduziram a participação da companhia nos últimos anos.
A estratégia atual procura liberar recursos para investir em litografia avançada e soluções de IA.
Pressão por resultados de curto prazo
Lucros decrescentes e necessidade de capital intensivo exigem decisões rápidas para recuperar rentabilidade.
A separação de negócios de menor sinergia permite foco maior em linhas com potencial de retorno superior.
O mercado acompanhará de perto o impacto financeiro das medidas nos próximos trimestres.
Próximos passos para a nova empresa
Depois de concluída a captação de novos sócios, a divisão de rede deverá montar conselho próprio e definir equipe executiva dedicada.
Planos de expansão de portfólio, parcerias com operadoras e integração de tecnologias 5G serão prioridades iniciais.
A Intel pretende manter influência estratégica, beneficiando-se de eventuais ganhos de valorização.
Com a cisão, a fabricante de chips reforça a intenção de simplificar operações, reduzir riscos e acelerar investimentos em áreas críticas para competir em um setor cada vez mais orientado a inteligência artificial e data centers.