Google e IBM afirmam estar perto de lançar computador quântico viável nesta década

Computador quântico viável pode surgir antes de 2030, dizem Google e IBM

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  1. Computador quântico viável pode surgir antes de 2030, dizem Google e IBM

Google e IBM reforçaram nos últimos meses a previsão de que um computador quântico de escala industrial poderá ser construído ainda nesta década. As duas companhias informam ter superado obstáculos técnicos que, até então, limitavam o crescimento dos chamados qbits — as unidades básicas de processamento quântico.

As declarações reacendem a disputa para definir quem entregará primeiro uma máquina capaz de executar cálculos complexos de forma exponencialmente mais rápida que os computadores tradicionais. Embora algumas vozes no setor permaneçam céticas, os dois grupos apostam que os desafios restantes são manejáveis.

Quem lidera a corrida empresarial pelo computador quântico

Na IBM, o projeto é comandado por Jay Gambetta, chefe da iniciativa quântica. Em junho, ele declarou ao Financial Times que a empresa “decifrou o código” para construir uma máquina de escala completa até o fim da década.

No Google, a frente de hardware quântico está a cargo de Julian Kelly. O executivo afirmou, no fim do ano passado, que todos os obstáculos de engenharia e de ciência remanescentes são superáveis e que a companhia pretende alcançar a chamada vantagem quântica industrial nos próximos cinco anos.

Qbits: o que falta para atingir 1 milhão de unidades

Um computador quântico opera com qbits, que podem representar simultaneamente a combinação de zero e um. Para realizar tarefas relevantes em produção, especialistas indicam a necessidade de pelo menos 200 qbits estáveis, com projeções que extrapolam 1 milhão de unidades no longo prazo.

O principal empecilho é a instabilidade natural dos qbits. À medida que seu número cresce, aumenta a incoerência quântica, provocando erros que inviabilizam a confiabilidade dos resultados. Projetos atuais concentram-se em desenvolver técnicas de correção de erros e em melhorar o design dos chips para reduzir ruídos.

Willow e Condor: avanços concretos dos gigantes de tecnologia

O Google apresentou o chip Willow, descrito pela empresa como capaz de executar correções próprias à medida que aumenta de tamanho. Segundo a big tech, trata-se da tentativa mais avançada do setor para manter a integridade dos qbits em escalas maiores.

A IBM, por sua vez, demonstrou o Condor, um chip experimental que diminuiu interferências internas. Embora o resultado tenha sido considerado relevante, o próprio laboratório reconheceu que a complexidade do sistema e o elevado custo operacional ainda impedem a adoção em larga escala.

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Imagem: Panuwatccn via olhardigital.com.br

Especialistas contestam o cronograma otimista

Nem todos no mercado compartilham o otimismo de Google e IBM. Oskar Painter, responsável pelo hardware quântico na Amazon Web Services, afirmou ao Financial Times que os desafios restantes, mesmo menores, não devem ser subestimados. Para ele, um computador quântico plenamente funcional pode demorar entre 15 e 30 anos.

Subodh Kulkarni, CEO da Rigetti Computing — startup que também utiliza qbits feitos de supercondutores —, destacou a natureza “incontrolável” dessas partículas. Segundo Kulkarni, a instabilidade intrínseca continua sendo um obstáculo difícil de contornar para qualquer equipe de pesquisa.

Finanças: a conta bilionária do desenvolvimento quântico

Além dos limites físicos, o custo é outro impedimento. O Google informa que pretende reduzir o preço dos componentes em um fator de 10 para chegar ao valor de US$ 1 bilhão, considerado ideal para construir um computador quântico de escala completa. Até lá, a empresa precisa baratear materiais, infraestrutura criogênica e processos de fabricação.

A IBM enfrenta problema semelhante. Manter ambientes controlados, com temperaturas próximas ao zero absoluto, exige investimentos elevados em refrigeração, instalações e energia. Até que esses gastos diminuam, a produção em massa permanece inviável.

Próximos passos até 2030

Apesar do ceticismo externo, Google e IBM sustentam que seus cronogramas incluem demonstrações graduais de capacidade, com metas de elevar o número de qbits, aprimorar algoritmos de correção de erros e reduzir custos. Se concretizadas, essas etapas podem culminar em protótipos de uso comercial antes de 2030.

Enquanto isso, outras empresas e centros de pesquisa, como Amazon e Rigetti, acompanham de perto cada avanço, prontos para ajustar estratégias. Em um cenário de incerteza técnica e financeira, a corrida pelo primeiro computador quântico viável segue aberta, mas o resultado final ainda dependerá de soluções que conciliem física, engenharia e economia.

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