O governo dos Estados Unidos criticou a investigação criminal aberta na França contra a rede social X, controlada por Elon Musk, por suspeita de interferência estrangeira.
Washington reage ao inquérito francês sobre o X
Em publicação na própria plataforma, o Departamento de Estado classificou a atuação do Ministério Público de Paris como ameaça à liberdade de expressão.
Segundo a mensagem, um “promotor ativista” teria solicitado acesso ao algoritmo patenteado do X e enquadrado a empresa como “grupo criminoso organizado”.
Para Washington, democracias devem permitir a manifestação de todas as vozes, mesmo as consideradas incômodas, sem recorrer a medidas que possam parecer censura.
Departamento de Estado cita defesa de cidadãos americanos
O Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, ligado ao Departamento de Estado, reforçou que os EUA protegerão a liberdade de expressão de seus cidadãos diante de ações classificadas como censura estrangeira.
A nota foi divulgada em meio ao retorno de Donald Trump à Casa Branca, período em que o presidente vem denunciando o que vê como restrições europeias a plataformas digitais norte-americanas.
Plataforma alega motivação política no pedido francês
Na segunda-feira, o X informou que se recusou a atender solicitações do Ministério Público de Paris para abrir seu algoritmo de recomendação e fornecer dados em tempo real de todas as publicações.
A empresa afirmou que as exigências fazem parte de uma “agenda política” que ameaça a segurança e a propriedade intelectual de seus sistemas.
Ao mesmo tempo, o X negou qualquer manipulação do algoritmo com objetivo de favorecer interferência estrangeira em debates públicos.
Musk mantém política de transparência limitada
Desde que assumiu o controle da rede social, Elon Musk defende transparência seletiva, alegando que a divulgação completa de códigos internos colocaria a plataforma em risco de ataques e perda de competitividade.
A recusa em obedecer às requisições francesas segue essa linha e tensiona a relação da empresa com autoridades europeias, que cobram mais abertura de sistemas de recomendação.
Detalhes da investigação conduzida em Paris
O Ministério Público da capital francesa delegou à Gendarmaria, em 11 de março, a condução do inquérito que tem como alvo a pessoa jurídica X Corp e os executivos que comandam a empresa.

Imagem: uol.com.br
A apuração foi motivada por duas denúncias apresentadas em janeiro, nas quais os autores acusam a plataforma de usar o algoritmo para influenciar, em benefício de agentes externos, discussões políticas na França.
Investigadores pretendem verificar se houve violação de leis que proíbem interferência estrangeira em processos democráticos, além de avaliar eventual prática de associação criminosa.
Procuradores buscam acesso técnico completo
Os promotores solicitaram cópia integral do algoritmo de recomendação, bem como fluxo de dados em tempo real de contas públicas e privadas, alegando necessidade de análise forense detalhada.
A Procuradoria sustenta que, sem esses elementos, seria impossível confirmar ou descartar a hipótese de manipulação automatizada de conteúdo.
Repercussões internacionais e possível impasse jurídico
A intervenção pública dos Estados Unidos intensifica o debate sobre jurisdição e alcance de leis nacionais frente a plataformas globais sediadas em solo americano.
Especialistas observam que a recusa do X em cooperar pode levar a sanções financeiras na França ou até à suspensão parcial de serviços, caso a Justiça considere a empresa em descumprimento de ordens legais.
Por outro lado, a defesa do Departamento de Estado alimenta argumentos de que a exigência francesa extrapola o princípio de proporcionalidade ao requisitar propriedade intelectual protegida.
Próximos passos aguardam decisões judiciais
O caso deve avançar nos tribunais franceses, que avaliarão a validade dos pedidos de acesso técnico e eventuais imunidades reivindicadas pela plataforma.
Enquanto isso, o X continua operando normalmente na França, mas sob observação de autoridades que prometem agir caso encontrem indícios concretos de interferência estrangeira.
A tensão diplomática sugere que outras redes sociais norte-americanas podem enfrentar demandas semelhantes na Europa, ampliando o debate sobre equilíbrio entre segurança, transparência e liberdade de expressão.