Engolir chiclete: mito dos sete anos no intestino
A crença de que a goma de mascar permanece sete anos no aparelho digestivo persiste, mas não encontra respaldo científico.
Especialistas confirmam que nenhum alimento, nem mesmo o chiclete, fica tanto tempo no corpo.
O trânsito intestinal médio de uma refeição completa varia de 24 a 72 horas, muito aquém dos sete anos divulgados em boatos.
Como a goma de mascar percorre o sistema digestivo
Composição da goma
O chiclete reúne dois grupos de substâncias.
O primeiro agrega açúcar, corantes, aromas e conservantes, elementos que se dissolvem com a ação da saliva e dos ácidos estomacais.
O segundo é a goma-base, fabricada hoje a partir de resinas e parafinas derivadas de petróleo, responsável pela textura mastigável.
Resistência à digestão
Enzimas, ácidos gástricos e movimentos peristálticos digerem parcialmente o primeiro grupo de compostos.
Já a goma-base não se desintegra, pois a química do trato digestivo não quebra suas ligações.
Consequentemente, a porção sólida atravessa estômago e intestinos intacta até ser descartada nas fezes.
Riscos associados a engolir chiclete
Ingestão eventual não traz danos
Quando a deglutição ocorre de forma ocasional, o chiclete desliza pelo tubo digestivo sem provocar lesões.
O material é pequeno, flexível e expelido naturalmente, segundo relatos clínicos.
Portanto, um episódio isolado não representa ameaça à saúde da maioria das pessoas.
Casos de obstrução intestinal
Problemas aparecem em crianças ou indivíduos que engolem vários chicletes por dia.
Relato publicado na revista Pediatrics descreveu um menino de quatro anos que ingeria até sete unidades diárias e desenvolveu constipação grave.
A massa acumulada bloqueou a passagem de fezes, exigindo intervenção médica.
Efeitos colaterais da mastigação constante
Estimulação desnecessária do estômago
Mastigar estimula a produção de saliva e suco gástrico, reação natural de preparo para a refeição.
Quando não há alimento real, o excesso desses líquidos pode irritar a mucosa estomacal.
Em longo prazo, o hábito contínuo favorece episódios de gastrite e desconforto abdominal.

Imagem: uol.com.br
Ingestão de ar e gases
O ato de mastigar favorece a deglutição de ar, fenômeno chamado aerofagia.
Somam-se a isso os adoçantes artificiais presentes em versões sem açúcar, que fermentam no intestino.
A combinação aumenta a formação de gases e pode provocar distensão abdominal.
Curiosidades sobre a goma de mascar
Por que o chiclete não adere aos dentes
Para grudar, a goma precisa de superfície porosa e seca.
O esmalte dental é liso, compacto e constantemente lubrificado pela saliva, dificultando a adesão.
Por isso, a maior parte do chiclete se solta facilmente durante a mastigação.
Relação entre mastigar e relaxar
A movimentação muscular da mandíbula ajuda a liberar tensão e melhora a concentração em tarefas repetitivas.
Essa propriedade levou o Exército dos Estados Unidos a distribuir goma de mascar aos soldados desde a Primeira Guerra Mundial.
O mecanismo, porém, não exclui os efeitos digestivos mencionados.
Conclusão: prudência no consumo é recomendada
Engolir chiclete esporadicamente não representa perigo, pois a goma é eliminada em poucos dias.
Entretanto, a ingestão frequente pode causar bloqueios, sobretudo em crianças que formam bolos grandes no intestino.
Manter o hábito de mastigar com moderação evita complicações digestivas e garante segurança ao consumidor.