Dupla chuva de meteoros ilumina o céu brasileiro
O céu noturno do país ficará mais movimentado com a aproximação simultânea das chuvas de meteoros Alpha Capricornídeos e Delta Aquáridas. Os dois eventos ocorrem todos os anos, mas, em 2024, os picos acontecem em dias consecutivos, oferecendo oportunidade rara de observação contínua. Quem estiver em áreas de pouca poluição luminosa pode enxergar dezenas de riscos luminosos a olho nu.
A Alpha Capricornídeos alcança seu ápice entre a noite de quarta-feira, 30 de julho, e a madrugada de quinta, 31. Já a Delta Aquáridas atinge o máximo entre a noite de terça, 29, e o amanhecer de quarta, 30. Como os períodos de atividade se sobrepõem, é possível registrar meteoros de ambas as chuvas na mesma sessão de observação.
O Observatório Nacional, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, recomenda que o público acompanhe os dois fenômenos a partir da meia-noite. Nesse intervalo, as constelações radiantes ganham destaque no céu e a taxa horária dos meteoros tende a aumentar.
Alpha Capricornídeos: poucos, porém brilhantes
Pico entre 30 e 31 de julho
A Alpha Capricornídeos é conhecida pelos meteoros lentos e de brilho intenso, características que favorecem a identificação a olho nu. O evento já está ativo desde 2 de julho e será visível até 15 de agosto, mas o número máximo de ocorrências ocorre na virada de 30 para 31. A estimativa aponta para cerca de cinco meteoros por hora durante o pico.
Esses meteoros parecem surgir da constelação de Capricórnio, localizada no quadrante sul do céu. A velocidade de entrada na atmosfera é relativamente baixa, cerca de 22 km/s, o que prolonga o traço luminoso. Nesta fase, a Lua apresenta apenas 20% de iluminação, condição que amplia o contraste entre o brilho dos meteoros e o fundo escuro.
Embora a taxa horária seja modesta, alguns fragmentos podem gerar bólidos, denominação dada aos rastros excepcionalmente luminosos. Essas ocorrências chamam atenção mesmo em áreas urbanas, desde que a poluição luminosa não seja extrema.
Delta Aquáridas: chuva mais intensa do período
Pico entre 29 e 30 de julho
A Delta Aquáridas é considerada uma das chuvas de meteoros mais produtivas do inverno austral. O fenômeno começou em 12 de julho e permanece ativo até 21 de agosto, com maior frequência de fragmentos na noite de 29 para 30. As projeções apontam para até 20 meteoros por hora, número que pode variar conforme as condições atmosféricas.
Os objetos parecem partir da constelação de Aquário, motivo do nome da chuva. A velocidade registrada é de aproximadamente 40 km/s, quase o dobro daquela observada na Alpha Capricornídeos, gerando rastros curtos e rápidos. A Lua estará 30% iluminada, o que produz leve interferência, mas não impede a observação em locais escuros.
O corpo parental da Delta Aquáridas é o cometa 96P/Machholz, que libera detritos ao longo de sua órbita. Quando a Terra cruza esse caminho, os fragmentos entram na atmosfera e originam as chamadas “estrelas cadentes” vistas no céu.
Melhores horários e condições de observação
Especialistas indicam o período entre meia-noite e o amanhecer como a faixa ideal para acompanhar as chuvas de meteoros. Nesse intervalo, o ponto radiantemove-se para posições mais altas, o que amplia a área de visibilidade. Quanto maior a altitude do radiante, maior a chance de detectar os riscos luminosos.
Para otimizar a experiência, o observador deve afastar-se das luzes urbanas e buscar um horizonte amplo e sem obstáculos. Não são necessários equipamentos, mas a adaptação ao escuro leva cerca de 20 minutos, portanto é recomendável evitar luzes fortes durante esse tempo. Aplicativos de mapeamento celeste ajudam a localizar Capricórnio e Aquário, mas também é possível usar referências de estrelas visíveis a olho nu.
Levar cadeira reclinável, agasalho e água garante maior conforto durante a vigília. Registros fotográficos podem ser obtidos com câmeras de longa exposição ou smartphones que ofereçam modo noturno manual, configurando ISO elevado, abertura ampla e tempos acima de 15 segundos.

Imagem: uol.com.br
Entenda o fenômeno das chuvas de meteoros
Origem dos fragmentos espaciais
Chuvas de meteoros acontecem quando a Terra encontra trilhas de detritos deixadas por cometas ou, ocasionalmente, asteroides. Os fragmentos, normalmente do tamanho de grãos de areia, vaporizam ao adentrar a atmosfera a velocidades que chegam a dezenas de quilômetros por segundo. O aquecimento gera luz intensa, criando o efeito popularmente chamado de “estrela cadente”.
No caso da Alpha Capricornídeos, estudos apontam origem em um antigo corpo celeste que se desintegrou há milhares de anos. Já a Delta Aquáridas associa-se ao 96P/Machholz, que possui período orbital de pouco mais de cinco anos. A passagem regular do cometa renova a trilha de partículas, mantendo a chuva ativa.
Apesar do espetáculo visual, o risco para a superfície terrestre é mínimo, pois a maioria dos fragmentos se desfaz totalmente antes de atingir altitudes inferiores a 80 km.
Importância científica e operacional
Meteoros fornecem dados sobre a composição de cometas, asteroides e até de corpos planetários, como Marte e Lua. Ao analisar a luz emitida, astrônomos identificam elementos químicos e inferem a história de objetos formados nos primórdios do Sistema Solar. Cada detrito funciona como amostra natural, dispensando missões de coleta.
Observatórios também monitoram a quantidade de detritos que circunda a Terra para proteger satélites, sondas e a Estação Espacial Internacional. Em períodos de maior fluxo, agências espaciais podem ajustar órbitas ou alterar cronogramas de atividades extraveiculares. Dessa forma, as chuvas de meteoros contribuem para a segurança das operações espaciais.
Além disso, modelos computacionais que simulam o comportamento dessas partículas ajudam a refinar previsões sobre quedas de meteoritos maiores. Os dados coletados alimentam bancos científicos que apoiam pesquisas em astrofísica, geologia planetária e climatologia espacial.
Próximos passos para o observador
Quem pretende acompanhar as duas chuvas deve conferir a previsão meteorológica local e escolher noites sem cobertura de nuvens. Planejar a viagem para áreas afastadas, como sítios, praias ou parques, aumenta as chances de ver o espetáculo completo. Caso a observação seja bem-sucedida, anotar horário, direção e intensidade dos traços ajuda sociedades astronômicas a refinar estatísticas.
Os fenômenos permanecerão ativos até meados de agosto, portanto haverá várias oportunidades para registrar meteoros, mesmo fora das datas centrais. A cada noite, a taxa horária tende a diminuir ligeiramente, mas eventos isolados, como um bólido brilhante, ainda são possíveis. Assim, o céu continua oferecendo motivos para olhar para cima.
Com planejamento simples e olhos atentos, o público encontrará nas noites de julho e agosto um convite natural para observar o espaço e compreender melhor os processos que moldam nosso ambiente cósmico.