Brasil amplia aporte em cibersegurança, mas mantém alta exposição a ataques

Índices
  1. Mercado brasileiro de cibersegurança em 12º lugar mundial
  2. Projeções de investimento até 2028
  3. Déficit de profissionais especializados
  4. Superfície de ataque segue ampla
  5. Phishing e golpes bancários dominam o cenário

O Brasil consolidou-se como um dos maiores investidores em cibersegurança, alcançando a 12ª posição no mercado global em 2024. Apesar do avanço, o país permanece entre os alvos preferenciais de criminosos digitais, revelando um descompasso entre gasto e efetividade das proteções implantadas.

Mercado brasileiro de cibersegurança em 12º lugar mundial

Volume de investimentos e posição global

Dados do Relatório de Cibersegurança 2025: Panorama de Insights, produzido pela Brasscom, apontam que o Brasil movimentou quantias expressivas no setor. Estados Unidos, China e Canadá lideram o ranking, mas o mercado nacional já figura logo atrás das principais potências, demonstrando atenção crescente ao tema.

A posição de número 12 reflete a importância estratégica dada pelas empresas brasileiras à proteção de dados. O destaque, porém, contrasta com a superfície de ataque cada vez maior, impulsionada pela rápida adoção de ferramentas digitais, meios de pagamento instantâneos e serviços em nuvem.

Projeções de investimento até 2028

Crescimento previsto e áreas beneficiadas

A Brasscom projeta que o país aplicará R$ 104,6 bilhões em cibersegurança entre 2025 e 2028, aumento de 43,8% em relação ao ciclo anterior. Apenas em 2025, o segmento deverá receber R$ 21,6 bilhões, valor destinado a soluções de monitoramento, criptografia, resposta a incidentes e adoção de boas práticas regulatórias.

Empresas de serviços financeiros encabeçam os aportes, motivadas pela popularização do Pix e pelo avanço do Open Banking. Outros setores, como telecomunicações, comércio eletrônico e administração pública, também elevam gastos para reduzir riscos operacionais e proteger informações sensíveis de clientes e cidadãos.

Déficit de profissionais especializados

Programa Hackers do Bem e metas de capacitação

A oferta de mão de obra especializada não acompanha o ritmo dos investimentos. A área de segurança da informação registrou crescimento médio de 16,1% ao ano no quadro de gerentes e administradores, mas a demanda permanece superior à disponibilidade de talentos locais.

Para minimizar o déficit, o programa Hackers do Bem pretende capacitar 30 mil profissionais em 2025. Conduzido por SENAI-SP, RNP e Softex, com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, o projeto conta com aporte de R$ 32,6 milhões e inclui trilhas formativas em detecção de ameaças, análise forense e resposta a incidentes.

Superfície de ataque segue ampla

Estatísticas de incidentes e custos

O cenário de ameaças confirma a vulnerabilidade brasileira. Em 2023 foram registradas 60 milhões de tentativas de invasão a sistemas corporativos e governamentais. Já em março de 2025, 38% da população relatou ter sofrido golpe bancário ou tentativa de fraude, porcentual que expõe a amplitude do problema.

O custo médio de uma violação de dados no país alcançou US$ 1,36 milhão em 2024, pressionando orçamentos de organizações de todos os portes. Para a Brasscom, o Brasil adota tecnologias rapidamente, mas retarda a conclusão de projetos de segurança, quadro descrito como “early adopter, late finisher”.

Embora a proteção de TI apareça como a segunda maior prioridade corporativa para 2025, ela ocupa apenas a quarta posição nas intenções de investimento em transformação digital. O distanciamento entre discurso e prática favorece brechas exploradas por agentes maliciosos.

Phishing e golpes bancários dominam o cenário

Principais fraudes mapeadas

O phishing permanece como vetor mais disseminado. Criminosos enviam e-mails, SMS ou mensagens instantâneas com links falsos que simulam páginas legítimas, levando a vítima a ceder credenciais, baixar malwares ou autorizar transações não reconhecidas.

Entre os golpes bancários, a clonagem ou troca de cartão responde por 40% dos casos. Solicitações falsas de amigos ou familiares via WhatsApp somam 28%, enquanto falsas centrais de atendimento concentram 26%. Fraudes ligadas ao Pix representam 16% e uso indevido de CPF por SMS, 11%.

Especialistas recomendam verificação de remetentes, autenticação multifator e atualização constante de sistemas para conter a escalada de ataques. O avanço dos investimentos mostra compromisso, mas a eficácia dependerá da integração entre tecnologia, processos e capacitação contínua de usuários e profissionais.

Postagens relacionadas

Go up