Apple decide encerrar primeira loja na China e anuncia novas aberturas em Shenzhen

Fechamento inédito da Apple na China

Índices
  1. Fechamento inédito da Apple na China
  2. Impacto nas operações em Dalian
  3. Desempenho de vendas e contexto econômico
  4. Nova loja em Shenzhen e planos futuros
  5. Revisão do modelo de varejo global

A Apple vai desativar a unidade instalada no Parkland Mall, distrito de Zhongshan, em Dalian, no dia 9 de agosto. Será a primeira vez que a companhia encerra uma loja própria no mercado chinês. A medida contraria o esforço recente da fabricante para reduzir a distância de vendas em relação à Huawei no país.

Segundo dados internos, a rede norte-americana mantém 56 pontos de venda na região da Grande China, o que equivale a pouco mais de 10% de suas 530 lojas globais. Mesmo com essa presença relevante, a Apple vinha preservando todas as unidades locais até agora. O fechamento em Dalian marca, portanto, um movimento inédito no maior mercado externo da empresa.

Motivos para a decisão

A empresa não revelou justificativas específicas para a escolha do Parkland Mall. Fontes próximas apontam a desaceleração do varejo pós-pandemia e a reavaliação de contratos de aluguel como fatores centrais. Esse processo de revisão também foi citado na planilha que confirma o fechamento simultâneo da loja de Bristol, no Reino Unido.

Impacto nas operações em Dalian

O ponto afetado é um dos dois que a Apple mantém na cidade portuária de Dalian. A loja situada no complexo comercial Olympia 66 seguirá em funcionamento sem alterações programadas. A distância entre os dois endereços é de aproximadamente dez minutos, o que facilita a redistribuição de clientes e de funcionários.

Todos os empregados do Parkland Mall receberam oferta de transferência para outras unidades da companhia. A Apple ressaltou que a prioridade é reter o quadro completo de trabalhadores, aproveitando a proximidade entre as lojas locais. Dessa forma, a empresa espera minimizar impactos sobre o atendimento ao público.

Ajustes na estrutura de varejo

Ao mesmo tempo em que encerra pontos considerados menos estratégicos, a Apple prossegue com ações de modernização dos espaços remanescentes. Parte das lojas na China já recebeu reformas para incorporar serviços de pós-venda aprimorados. A iniciativa tenta sustentar fluxo de visitantes em meio à concorrência acirrada com marcas regionais.

Desempenho de vendas e contexto econômico

No segundo trimestre fiscal, a receita da Apple na China recuou 2,3% em relação ao mesmo período de 2023, somando US$ 16 bilhões. Analistas projetavam US$ 16,8 bilhões, valor que não se concretizou diante da fraqueza do consumo interno. A companhia sente o efeito das pressões deflacionárias e da perda de fôlego das exportações chinesas.

Indicadores locais apontam que o crescimento do varejo ficou abaixo do esperado, enquanto os preços de imóveis caíram com maior velocidade em junho. Esses fatores reduziram o apetite de gastos dos consumidores, o que afeta diretamente as vendas de dispositivos premium como o iPhone. Paralelamente, tarifas impostas pelos Estados Unidos às mercadorias chinesas seguem impactando a economia regional.

Concorrência com fabricantes domésticas

A Huawei, principal rival doméstica, ampliou participação no segmento de celulares de alta gama depois de retomar a produção de chips 5G. A resposta da Apple envolve promoções mais agressivas no e-commerce chinês e lançamentos programados para o segundo semestre. Mesmo assim, analistas preveem cenário competitivo difícil no curto prazo.

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Imagem: Shutterstock via olhardigital.com.br

Nova loja em Shenzhen e planos futuros

Apesar do fechamento em Dalian, a Apple abrirá uma nova unidade na Uniwalk Qianhai, em Shenzhen, em 16 de agosto. O espaço integrará o conceito mais recente de design da marca, com áreas dedicadas a demonstrações de produtos e sessões educativas. A inauguração reforça a importância da província de Guangdong no portfólio de varejo da empresa.

A corporação também planeja lojas adicionais em Pequim e Xangai, previstas para 2026, segundo informações obtidas pela Bloomberg. Em janeiro deste ano, uma unidade foi inaugurada na província de Anhui, sinalizando que a China continua no centro da estratégia de longo prazo da Apple.

Expansão para outros mercados

Fora da China, a Apple confirmou aberturas em Detroit, Emirados Árabes, Arábia Saudita e Índia nos próximos ciclos fiscais. No sábado, 26 de maio, a empresa inaugurou loja em Osaka, Japão, e, ainda em janeiro, uma em Miami, Estados Unidos. Em 2023, a Malásia passou a contar com o primeiro ponto oficial da marca.

Revisão do modelo de varejo global

Desde a pandemia, a Apple observa desaceleração do crescimento orgânico de suas lojas físicas. A reação inclui maior ênfase no comércio eletrônico em países emergentes e a substituição de unidades menos lucrativas por espaços remodelados em regiões de tráfego intenso.

A seletividade também alcança a renovação de aluguéis, como indicam os encerramentos simultâneos em Dalian e Bristol. A companhia avalia caso a caso, priorizando locais com melhor retorno por metro quadrado e sinergia com a experiência digital.

Próximos passos da companhia

Para os próximos trimestres, a Apple seguirá equilibrando expansão e racionalização de custos. O lançamento de novos iPhones e a incorporação de inteligência artificial aos serviços deverão definir a resposta dos consumidores. Enquanto isso, o fechamento no Parkland Mall permanece como o evento emblemático de ajuste estratégico em 2024.

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