Primeiro teste com agente do ChatGPT expõe limitações em jogos e compras on-line

Índices
  1. O que é o agente do ChatGPT
  2. Primeiros testes práticos
  3. Desafios observados
  4. Perspectivas e próximos passos

Diogo Cortiz recebeu acesso antecipado ao novo recurso de agentes da plataforma ChatGPT e realizou dois ensaios práticos: disputar partidas de truco em um site brasileiro e buscar passagens aéreas para uma viagem real.

O que é o agente do ChatGPT

Anunciado na semana passada, o agente integra funções antes separadas (Operator e Deep Research) e promete executar tarefas de forma autônoma dentro do próprio chatbot.

Para cumprir as solicitações, o sistema cria um computador virtual, abre um navegador interno, navega em páginas públicas, insere dados nos formulários e solicita autenticação sempre que necessário.

A novidade chega em um momento de crescente aposta do mercado em agentes de inteligência artificial; um grande banco brasileiro, por exemplo, já desenvolveu mais de mil agentes internos para rotinas específicas.

Promessa de automatizar atividades diversas

Segundo a OpenAI, o usuário poderá solicitar ações como revisar compromissos da agenda, comprar ingredientes para um café da manhã japonês ou elaborar apresentações de concorrentes.

O lançamento busca rivalizar com ferramentas similares, como o Manus, agente chinês conhecido pela versatilidade em coleta de dados e prototipagem de aplicativos.

Plataformas e empresas disputam esse terreno porque veem potencial para reduzir tarefas humanas repetitivas e abrir caminho para a chamada “Agentic Web”.

Primeiros testes práticos

Com acesso liberado, Cortiz começou avaliando uma atividade considerada ousada: jogar truco on-line no site TrucoON.

O comando inicial foi “jogar uma partida anônima de truco no site trucoon.com.br”, e imediatamente surgiu, dentro da interface do ChatGPT, a página carregada em um navegador virtual.

Enquanto o mouse se movia sozinho, a tela exibia em texto os passos de raciocínio do modelo, indicando cada ação planejada.

Tentativa de jogar truco on-line

O agente conseguiu criar mesa, iniciar a partida e demonstrou conhecimento das regras, explicando suas estratégias a cada rodada.

Apesar de alguns lances adequados, o desempenho foi irregular; nenhuma das partidas resultou em vitória para o sistema de IA.

Mesmo sem triunfar, o teste comprovou que o recurso é capaz de acessar o jogo e agir de forma autônoma, ainda que com lentidão perceptível.

Busca por passagens aéreas

A segunda prova envolveu uma tarefa cotidiana: localizar opções de voos para uma viagem futura.

O agente abriu diversos portais de viagens, alternou entre mais de dez sites e permaneceu consultando resultados durante aproximadamente trinta minutos.

Primeiro teste com agente do ChatGPT expõe limitações em jogos e compras on-line - Imagem do artigo original

Imagem: uol.com.br

Sem concluir a pesquisa nem apresentar preços finais, o sistema entrou em um ciclo repetitivo, diferença relevante em comparação a uma busca manual que levou menos de vinte segundos.

Desafios observados

Os testes indicaram tempo de execução elevado; cada etapa do navegador virtual era concluída de forma visivelmente mais lenta que a interação humana.

Em processos complexos, como reservas on-line, o agente depende de páginas compatíveis e pode ficar preso em autenticações ou layouts não preparados para robôs.

A variedade de padrões de interface se transformou em obstáculo recorrente, ressaltando que muitos serviços ainda não dispõem de caminhos claros para acesso automatizado.

Velocidade e ciclos de processamento

Durante o jogo, o cursor movia-se em passos pequenos e demorava para identificar cartas ou selecionar botões, o que impactou a dinâmica da partida.

No caso das passagens, a repetição de cliques em filtros semelhantes resultou em loops sucessivos sem chegar ao objetivo final.

Esses comportamentos sugerem que o módulo de tomada de decisão ainda enfrenta dificuldade em reconhecer quando uma etapa foi finalizada com êxito.

Adaptação dos serviços on-line

Especialistas apontam que sites precisarão criar APIs ou fluxos específicos para agentes, facilitando a navegação sem intervenção humana.

A mudança exigirá ajuste de formulários, autenticações e políticas de uso, inaugurando um novo ecossistema de integração entre IA e plataformas digitais.

O termo “Agentic Web” tem ganhado força justamente para designar esse cenário, em que páginas serão visitadas tanto por pessoas quanto por sistemas autônomos.

Perspectivas e próximos passos

Comportamentos inconsistentes indicam que o agente do ChatGPT ainda se encontra em estágio preliminar, atuando mais como prova de conceito do que como produto acabado.

Mesmo assim, a experiência oferece demonstração prática do potencial de agentes generalistas capazes de combinar leitura de páginas, execução de código e raciocínio estratégico.

A expectativa é que futuras atualizações melhorem a velocidade, reduzam loops e aproveitem integrações diretas, aproximando o recurso das promessas de automação amplamente divulgadas pelo setor.

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