Objeto raro acelera rotação no espaço e surpreende astrônomos

Índices
  1. Objeto acelera em vez de perder velocidade
  2. Pulsos de rádio mostram dois ciclos distintos
  3. Quatro observatórios confirmam sinal
  4. Descoberta amplia catálogo de transientes de rádio
  5. Novo alvo para futuras observações
  6. Fenômeno reforça caráter imprevisível do cosmos

Pesquisadores do Observatório Nacional de Radioastronomia dos Estados Unidos detectaram um transiente de rádio de longo período que foge a todas as previsões sobre estrelas superdensas. O objeto, classificado como CHIME J1634+44, passou a ser chamado informalmente de “unicórnio espacial” pela extrema raridade do fenômeno.

Objeto acelera em vez de perder velocidade

Estrelas de nêutrons costumam perder energia ao longo do tempo e girar cada vez mais devagar. No caso do CHIME J1634+44, os dados apontam a tendência oposta: a rotação ficou mais rápida desde a primeira medição. A pista leva os cientistas a suspeitar de um sistema binário, no qual a interação gravitacional entre dois corpos pode acelerar o movimento.

Hipótese de sistema binário ganha força

Os cálculos sugerem que a proximidade entre os objetos reduziria a energia orbital do par, transmitindo parte desse momento para a estrela mais densa. Esse mecanismo explicaria o ganho de velocidade observado, sem contrariar as leis físicas conhecidas.

Pulsos de rádio mostram dois ciclos distintos

O CHIME J1634+44 emite sinais de rádio em intervalos regulares pertencentes a duas séries: um ciclo ocorre a cada 14 minutos e outro se repete a cada 70 minutos. A coexistência desses períodos indica a presença de algum fator externo modulando a emissão, reforçando a hipótese da companhia orbital.

Emissão exibe polarização incomum

A equipe detectou que os pulsos viajam em espirais perfeitamente polarizadas, um comportamento raro entre objetos compactos. Essa característica sugere um processo de emissão ainda não documentado, abrindo nova frente para o estudo das linhas de campo magnético em estrelas de nêutrons.

Quatro observatórios confirmam sinal

A descoberta só foi possível com a combinação de dados de quatro instrumentos. O Experimento Canadense de Mapeamento de Intensidade de Hidrogênio (CHIME) identificou o padrão inicial. O Telescópio Green Bank, a Matriz Muito Grande e o observatório Swift validaram posição, frequência e polarização.

Cada instrumento contribuiu com parte decisiva

O CHIME ofereceu cobertura contínua e registrou a repetição dos pulsos. O Green Bank mediu a taxa de rotação com alta precisão. A Matriz Muito Grande refinou a localização no céu e o Swift descartou fontes de raios X que pudessem confundir a análise.

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Imagem: Gerador de imagens IA do Shutterstock via olhardigital.com.br

Descoberta amplia catálogo de transientes de rádio

O CHIME J1634+44 integra a categoria dos Transientes de Rádio de Longo Período, objetos que emitem sinais separados por minutos ou horas. Esse grupo ainda conta com poucos integrantes confirmados, e o novo registro sugere que outros exemplos podem estar escondidos em catálogos de pulsar ou em dados de varredura de rádio.

Impacto na pesquisa de estrelas de nêutrons

Ao contrário de pulsares clássicos, cuja emissão ocorre em frações de segundo, os transientes de longo período fornecem janelas mais dilatadas para análise. A diferença de ritmo permite testar modelos de magnetosfera e estudar como campos intensos afetam partículas carregadas.

Novo alvo para futuras observações

A equipe planeja monitorar o CHIME J1634+44 em várias faixas de frequência para verificar se a aceleração persiste. A expectativa é identificar variações no brilho ou mudanças nos ciclos que confirmem a presença do companheiro orbital.

Instrumentos de próxima geração devem ampliar busca

Radiotelescópios em construção, como o Square Kilometre Array, terão sensibilidade capaz de descobrir transientes ainda mais fracos. O levantamento de longa duração poderá revelar quantos “unicórnios” realmente habitam a Via Láctea.

Fenômeno reforça caráter imprevisível do cosmos

Embora improvável, a detecção de um objeto que acelera a rotação mostra que a população de estrelas de nêutrons é mais variada do que se acreditava. Cada nova anomalia acrescenta peças ao quebra-cabeça sobre a evolução de remanescentes estelares e a física fundamental dos campos magnéticos extremos.

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