Justiça dos EUA pede ao STJ que intime Alexandre de Moraes em ação de Rumble e Trump Media

Rumble aciona Justiça americana contra decisões de Moraes

Índices
  1. Rumble aciona Justiça americana contra decisões de Moraes
  2. O que motiva a disputa entre Rumble e Moraes
  3. Como o STJ deve proceder
  4. Contexto das decisões de Moraes sobre plataformas digitais

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) recebeu, na sexta-feira (15), uma carta rogatória da Corte Federal da Flórida solicitando que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), seja formalmente citado em processo movido pelas empresas Rumble Inc. e Trump Media & Technology Group.

As companhias contestam determinações do magistrado brasileiro que resultaram no bloqueio de perfil associado ao comentarista Rodrigo Constantino e na exigência de dados de usuário da plataforma de vídeos.

Quem são os envolvidos

Empresas autoras: Rumble Inc., plataforma de vídeos com sede nos Estados Unidos, e Trump Media & Technology Group, controladora da rede social Truth Social.

Réu no processo americano: Alexandre de Moraes, ministro do STF.

Autoridade brasileira responsável pela execução da carta: Herman Benjamin, presidente do STJ, a quem cabe decidir sobre o exequatur – autorização para cumprimento da ordem estrangeira.

O que motiva a disputa entre Rumble e Moraes

A ação foi ajuizada em 11 de julho na Flórida. As empresas apontam irregularidades na ordem de Moraes que determinou:

• Bloqueio de conta vinculada a Rodrigo Constantino;

• Envio imediato de dados de usuário à Justiça brasileira;

• Multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento.

Segundo Rumble e Trump Media, a decisão foi remetida diretamente ao e-mail institucional da plataforma, sem uso de tratados internacionais nem comunicação prévia ao governo dos Estados Unidos, prática que as companhias classificam como violação da legislação americana.

Argumentos das empresas

• A conta bloqueada pertence a cidadão norte-americano, está inativa desde dezembro de 2023 e não é acessada do Brasil, país em que o serviço está bloqueado por decisão de Moraes desde fevereiro de 2025.

• O pedido brasileiro envolveria conteúdos de críticas ideológicas consideradas não violentas, o que, no entender das autoras, estaria protegido pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA.

Justiça dos EUA pede ao STJ que intime Alexandre de Moraes em ação de Rumble e Trump Media - Imagem do artigo original

Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom via olhardigital.com.br

• A medida teria sido emitida dois dias após o ex-presidente Donald Trump enviar carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestando preocupação com o tratamento dado pelo Brasil a empresas de tecnologia norte-americanas.

Como o STJ deve proceder

A carta rogatória será analisada pelo ministro Herman Benjamin. Caso ele conceda o exequatur, um juiz federal será designado para intimar Alexandre de Moraes em território nacional. Se negar, a ordem estrangeira não produzirá efeitos no Brasil e o ministro do STF não será citado.

Mesmo sem despacho, Moraes pode optar por se manifestar voluntariamente ao STJ, recebendo a citação antes de qualquer decisão de Benjamin. Se permanecer silencioso, o presidente do tribunal pode distribuir o processo a um relator, que avaliará eventual recurso.

Possíveis desfechos

Concessão do exequatur: Moraes será intimado e poderá apresentar defesa perante a Justiça dos EUA por meio das vias diplomáticas.

Negativa do exequatur: A ação americana fica sem eficácia no Brasil, e o processo prossegue apenas no âmbito estadunidense.

Resposta voluntária: O ministro do STF adere de forma espontânea à comunicação judicial, acelerando o trâmite.

Contexto das decisões de Moraes sobre plataformas digitais

Alexandre de Moraes conduz inquéritos no STF que investigam a disseminação de conteúdos considerados antidemocráticos. No âmbito desses processos, o ministro já determinou bloqueios de perfis e aplicativos, expediu ordens de fornecimento de dados e fixou multas a empresas que descumprirem determinações judiciais.

Em fevereiro de 2025, Moraes ordenou a suspensão do acesso à Rumble no Brasil por suposta resistência da plataforma em retirar conteúdos que violariam decisões do STF. Desde então, a empresa mantém litígios no país e, agora, busca contestar os atos do magistrado perante a Justiça norte-americana.

Próximos passos

O STJ não definiu prazo para decidir sobre a carta rogatória. Após manifestação do presidente do tribunal, Rumble e Trump Media poderão ser informadas por vias diplomáticas sobre a posição brasileira, enquanto o processo na Flórida prossegue em paralelo.

Até a conclusão do exame, Moraes segue sem citação formal nos Estados Unidos, mas o pedido reforça a tensão internacional envolvendo decisões do STF que repercutem em empresas de tecnologia estrangeiras.

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