VRAM configurável da Intel chega aos processadores Core Ultra Series 2
A Intel incluiu, no pacote Intel Graphics Software, o recurso Shared GPU Memory Override, que permite ao usuário redefinir a quantidade de memória de sistema que será usada como VRAM em notebooks com GPU Arc integrada.
Quem pode usar a novidade
O ajuste está disponível apenas para máquinas equipadas com processadores Intel Core Ultra Series 2, também conhecidos como Lunar Lake. Usuários relatam que a função não é ativada nos chips Meteor Lake da linha Intel Core Ultra Series 1.
Placas Arc discretas não são contempladas. Para explorar o recurso, o notebook precisa oferecer quantidade elevada de RAM, pois parte dela será redirecionada para a GPU.
Até agora, notebooks com Core de última geração faziam uma divisão fixa: metade da RAM ficava com o Windows e metade era transformada em VRAM. Em um sistema com 32 GB, por exemplo, apenas 16 GB estavam disponíveis para cargas de trabalho de GPU, como geração de imagens por IA ou jogos.
Com o novo controle, o usuário decide manualmente quanto da memória livre passará a ser VRAM antes de iniciar um modelo de IA ou um título que exija mais recursos gráficos. A alteração é realizada dentro do software da Intel e requer reinicialização para entrar em vigor.
Impacto em inteligência artificial
Modelos de linguagem de grande porte (LLMs) tratam VRAM como RAM. Quanto mais memória dedicada, mais parâmetros podem ser carregados e maior é o número de tokens que o chatbot processa. Nos testes feitos em março com o recurso equivalente da AMD, a realocação de 24 GB de um total de 32 GB elevou o desempenho em até 64 % em certos benchmarks de IA.
Expectativa semelhante vale para a plataforma da Intel. Ao permitir redirecionar praticamente todo o excedente de RAM para VRAM, os usuários podem executar modelos maiores localmente, reduzir tempos de resposta e manter dados sensíveis fora da nuvem.
Comparação com a abordagem da AMD
A AMD oferece desde 2023 uma solução parecida. Nos notebooks Ryzen, o ajuste de VRAM pode ser feito via BIOS ou pelo aplicativo Adrenalin. A empresa manteve a configuração aberta a diferentes famílias de processadores, enquanto a Intel restringiu o suporte inicial à série mais nova.
Imagem: pcworld.com
Na prática de escritório, a divisão padrão de memória tem pouco efeito perceptível. Já em cenários que dependem de aceleração por GPU, a flexibilidade de VRAM impacta diretamente o volume de dados processados por quadro ou por lote de tokens.
Requisitos para obter ganhos reais
Para tirar proveito do recurso, é recomendável adquirir laptops com, no mínimo, 32 GB de RAM. Quanto maior a capacidade física, maior é a margem para alocar VRAM sem comprometer a porção reservada ao sistema operacional e a aplicativos de fundo.
Por que a mudança é importante
O lançamento do Shared GPU Memory Override encerra uma lacuna entre as duas principais plataformas de CPU x86. Usuários de notebooks Intel passam a ter a mesma liberdade de alocação que já existia no ecossistema Ryzen, condição que pode influenciar decisões de compra em segmentos de IA local e jogos portáteis.
Ainda não há previsão de automação completa do processo. A tendência é que futuras versões do Intel Graphics Software integrem perfis capazes de redistribuir memória de forma dinâmica ao detectar a execução de modelos de IA, sem exigir reinicialização.
Próximos passos esperados
Caso a adoção seja positiva, a Intel poderá estender o suporte a gerações anteriores ou implementar ajustes automáticos pelo aplicativo AI Playground. Por enquanto, a companhia não divulgou cronograma oficial para expansão da compatibilidade.
Enquanto isso, desenvolvedores e entusiastas avaliam o ganho de desempenho em cargas de trabalho reais, como geração de arte, chatbots offline e títulos que consomem grande volume de texturas. Resultados iniciais ajudarão a definir boas práticas de configuração e dimensionamento de memória nos futuros projetos de hardware.
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